​Revolução silenciosa - Artigo - Notícias - CRF-MS

segunda, 09 de janeiro de 2017 às 08h00

​Revolução silenciosa

Artigo do presidente do CFF: Walter da Silva Jorge João

O Brasil é um país com a saúde pública marcada por dificuldades de gestão, falta de recursos, limitações tecnológicas, uma corrosiva burocracia, carência de profissionais especializados e longas filas para o atendimento. Por outro lado, essas dificuldades convivem com ilhas de prosperidade. Neste contexto, as práticas de Farmácia Clínica se destacam como alternativa para melhorar a saúde dos cidadãos.

Essa área profissional apresenta um grande alcance sanitário. Em 2011, um dos idealizadores do Sistema Único de Saúde (SUS), o sanitarista mineiro Eugênio Vilaça fez, disse que a Farmácia Clínica é condição para o sucesso das Redes de Atenção à Saúde no âmbito da atenção primária do SUS. 

Por isso, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) vem adotando políticas com vistas a fortalecê-la. Em 2013, publicou duas resoluções que respaldam a prestação de serviços clínicos farmacêuticos – as resoluções de números 585 e 586, que dispõem sobre as atribuições clínicas do farmacêutico e a prescrição farmacêutica. E em 2014, o conselho e demais entidades farmacêuticas coordenaram um movimento pela aprovação da Lei 13.021, que transformou as farmácias, principal cenário de prática farmacêutica, em unidades de assistência à saúde.

O CFF também tem fomentado a prática clínica por meio da capacitação dos farmacêuticos, em cursos e congressos. Em 2016, lançou o Profar, Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde, e seu curso à distância sobre Prescrição farmacêutica no manejo de problemas de saúde autolimitados, por meio de plataforma digital.

Os farmacêuticos orientam sobre o uso correto dos medicamentos e a forma de organizar o tratamento. Eles também prescrevem determinados medicamentos, com ênfase para aqueles isentos de receita médica, visando ao tratamento de sintomas provocados por problemas de saúde autolimitados. Além disso, solicitam e avaliam resultados de exames laboratoriais para rastreamento em saúde e acompanhamento da efetividade e segurança dos tratamentos em uso pelo paciente. Atuam, ainda, na prevenção de doenças e na promoção da saúde.

Esses cuidados, que são muito acessíveis e imunes às filas quilométricas dos serviços de saúde, ganham uma enorme importância diante do envelhecimento populacional. Entre os idosos, cerca de 80% têm pelo menos uma doença crônica, o que significa dizer que é três vezes maior a necessidade do uso de medicamentos por esses pacientes. Até porque o uso de medicamentos é um poderoso, se não o maior processo de intervenção para melhorar o seu estado de saúde. Aproximadamente 19% das admissões hospitalares entre pacientes idosos têm origem nas reações adversas a medicamento.

Três anos depois da publicação das resoluções, e dois da publicação da lei, podemos dizer que a revolução silenciosa dos cuidados farmacêuticos é uma realidade e tem a adesão de todos os setores da sociedade, inclusive dos empregadores. Grandes redes estão incorporando centros de cuidados clínicos em suas unidades e qualificando seus farmacêuticos para a prestação de serviços humanizados e de alta qualidade aos seus clientes.

O modelo de farmácia clínica avança, recebendo a aprovação da população à medida que promove a saúde ajuda a diminuir os prejuízos nos sistemas público e privado, entre outros benefícios. É a virada na saúde.

Fonte: CFF - Imprimir

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